Estágios Motivacionais: como funciona o tratamento da dependência química durante a internação?

Entenda como os diferentes estágios da mudança ajudam a orientar o tratamento e a recuperação de pacientes com dependência química.

Quando uma pessoa inicia um tratamento para dependência química, nem sempre está preparada para reconhecer o problema ou mudar seu comportamento.

Alguns pacientes compreendem os prejuízos causados pelo uso de álcool e outras drogas, mas encontram dificuldades para interromper o consumo. Outros ainda não reconhecem a necessidade de mudança.

Isso acontece porque a motivação não é uma condição fixa. Ela pode variar e ser desenvolvida ao longo do tratamento.

É nesse contexto que os Estágios Motivacionais se tornam importantes, permitindo compreender o momento de cada paciente e direcionar as intervenções terapêuticas conforme suas necessidades.

O que são os Estágios Motivacionais?

Os Estágios Motivacionais fazem parte do Modelo Transteórico de Mudança, desenvolvido a partir dos estudos dos psicólogos James Prochaska e Carlo DiClemente.

O modelo descreve cinco estágios que podem ocorrer durante uma mudança de comportamento: pré-contemplação, contemplação, preparação, ação e manutenção.

No tratamento da dependência química, compreender esses estágios ajuda a equipe multiprofissional a identificar a disposição do paciente para mudar e estabelecer estratégias terapêuticas individualizadas.

A abordagem considera que reconhecer um problema, decidir mudar e conseguir sustentar novos comportamentos são processos diferentes.

Quais são os cinco Estágios Motivacionais?

1. Pré-contemplação: reconhecer o problema

Nesse estágio, o paciente ainda não reconhece completamente os prejuízos relacionados ao uso de substâncias ou não considera necessária uma mudança.

O trabalho terapêutico busca ampliar a percepção sobre os próprios comportamentos e suas consequências, favorecendo a reflexão e a construção gradual de responsabilidade.

Na Bem Viver, essa fase é identificada pela pulseira Laranja.

2. Contemplação: compreender a necessidade de mudança

O paciente começa a reconhecer o problema, mas ainda apresenta dúvidas e inseguranças sobre mudar.

É comum existir ambivalência: ao mesmo tempo que deseja interromper o uso, pode sentir medo, resistência ou dificuldade para imaginar uma vida sem a substância.

Nessa etapa, o tratamento trabalha a compreensão das razões e barreiras para a mudança, além do desenvolvimento de estratégias para lidar com emoções e desafios.

Na Bem Viver, essa fase é representada pela pulseira Amarela.

3. Preparação: transformar intenção em planejamento

Reconhecer a necessidade de mudança é importante, mas também é preciso desenvolver recursos para colocá-la em prática.

Na preparação, o paciente começa a estabelecer metas realistas, organizar sua rotina, resgatar responsabilidades e construir estratégias para enfrentar situações de risco.

É o momento de transformar o desejo de mudar em um plano concreto.

Na Bem Viver, essa fase é identificada pela pulseira Azul.

4. Ação: colocar a mudança em prática

Nesse estágio, o paciente começa a adotar novos comportamentos e aplicar as estratégias desenvolvidas durante o tratamento.

O acompanhamento terapêutico busca fortalecer a autonomia, identificar gatilhos e desenvolver recursos para lidar com situações que possam comprometer a recuperação.

5. Manutenção: sustentar as mudanças

A manutenção envolve a continuidade dos comportamentos desenvolvidos, o fortalecimento das estratégias de prevenção de recaídas e a preparação para os desafios após a alta.

O objetivo é favorecer a continuidade do cuidado e a construção de uma rotina compatível com a recuperação.

Na Bem Viver, os estágios de Ação e Manutenção são trabalhados na pulseira Verde.

Como funciona o Programa de Estágios Motivacionais da Bem Viver?

Na Clínica Bem Viver, o programa integra o tratamento durante a internação para dependência química, organizando o acompanhamento conforme o momento terapêutico de cada paciente.

Para pacientes que apresentam sintomas de abstinência ou fissura após a interrupção do uso de substâncias, o processo pode começar pela etapa de desintoxicação, identificada pela pulseira Cinza, com foco na segurança, estabilidade clínica e manejo dos sintomas.

Posteriormente, o paciente participa das etapas motivacionais, identificadas por pulseiras coloridas, com objetivos terapêuticos específicos.

O programa também utiliza princípios do Manejo de Contingências, abordagem baseada no reforço de comportamentos alinhados aos objetivos do tratamento.

A progressão entre os estágios considera a participação do paciente nas atividades propostas e os critérios terapêuticos estabelecidos para cada etapa.

Dessa forma, o acompanhamento busca respeitar as necessidades individuais e estimular a participação ativa no processo de recuperação.

Entre em contato com a nossa equipe Bem Viver e tire suas dúvidas pelo WhatsApp.

A recaída significa que o tratamento não funcionou?

Não necessariamente.

A recuperação da dependência química nem sempre acontece de maneira linear. Durante esse processo, podem ocorrer dificuldades, recaídas e a necessidade de retomar etapas anteriores.

Uma recaída exige avaliação clínica, identificação dos fatores de risco e revisão das estratégias terapêuticas, mas não significa que todos os avanços anteriores foram perdidos.

O tratamento busca desenvolver recursos para que o paciente consiga reconhecer situações de risco, enfrentar dificuldades e retomar o cuidado quando necessário.

Por que interromper o uso de substâncias não é suficiente?

A interrupção do consumo é uma parte importante do tratamento, mas a recuperação envolve outros aspectos.

É necessário compreender os fatores associados à dependência, desenvolver estratégias para lidar com emoções e situações de risco e fortalecer comportamentos que favoreçam a continuidade do cuidado.

Por isso, o tratamento pode envolver acompanhamento médico, psicoterapia, intervenções comportamentais e atuação multiprofissional, conforme as necessidades de cada paciente.

Mais do que interromper o uso de substâncias, o objetivo é desenvolver recursos para sustentar as mudanças após a internação.

Entre em contato com a nossa equipe Bem Viver e tire suas dúvidas pelo WhatsApp.

A importância de um tratamento individualizado

Cada paciente chega ao tratamento com uma história, necessidades e níveis de motivação diferentes.

O Programa de Estágios Motivacionais da Bem Viver considera essas particularidades para orientar intervenções terapêuticas e acompanhar a evolução durante a internação.

Ao compreender que a motivação pode ser desenvolvida, o tratamento cria oportunidades para que o paciente reconheça seus desafios, participe das decisões e construa novas possibilidades para sua recuperação.

Precisa de orientação sobre internação e tratamento para dependência química?

Entre em contato com a equipe da Clínica Bem Viver. Uma avaliação profissional é fundamental para compreender cada situação e indicar a modalidade de cuidado mais adequada.

Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui a avaliação de profissionais de saúde.

Entre em contato com a nossa equipe Bem Viver e tire suas dúvidas pelo WhatsApp.

Referências científicas

  • Substance Abuse and Mental Health Services Administration (SAMHSA). TIP 35: Enhancing Motivation for Change in Substance Use Disorder Treatment.
  • Krebs P, Norcross JC, Nicholson JM, Prochaska JO. Stages of Change and Psychotherapy Outcomes: A Review and Meta-Analysis. Journal of Clinical Psychology, 2018.
  • Prochaska JO, DiClemente CC, Norcross JC. In Search of How People Change: Applications to Addictive Behaviors. American Psychologist, 1992.
  • Pfund RA et al. Contingency Management for Drug Use Disorders: Meta-Analysis and Application of Tolin’s Criteria. Clinical Psychology, 2024.
Compartilhe
Post anterior
Uso excessivo de telas em idosos: impactos do celular e das redes sociais na saúde mental

Leia também…